Creio que perdi a noção de tempo e espaço, que tenho passado tempo demais imersa em meu silêncio, em meu vazio, neste meu mundo submerso, perdida em meus pensamentos. É como se a realidade não pudesse me tocar ou fosse algo muito distante, intocável, como se eu estivesse entorpecida, ou exausta demais para tentar entender o que se passa lá fora, como se eu visse apenas flashes e então tornasse a fechar os olhos e mergulhasse novamente na escuridão de mim mesma.
As vezes sinto que não há nada mais, apenas eu e esta jornada solitária, este grande deserto. Por vezes acho que moro num planeta distante, cercada por um mar de estrelas, apenas eu e minha rosa, como o Pequeno Príncipe em seu pequeno planeta, mas como se de súbito todas as estrelas tivesse perdido o brilho e a bela rosa despetalado e tudo ali é apenas o vazio, a solidão e a lembrança daquelas cores, daquele perfume, daquele amor. De súbito tudo volta a ter seu brilho, mesmo que esmaecido, como um filme antigo e fico assistindo admirada, mas torna a se apagar, como se um vaga-lume tilintasse em minha cabeça sem parar.
É engraçada a vida. Num momento nós estamos no mundo e na nossa eterna insatisfação com tudo, começamos a criar roupagens, máscaras, uma para os amigos, para sermos aceitos, uma para o trabalho, uma para os amores, uma para as baladas, uma para cada área, numa tentativa de impressionar, ou de esconder esta ou aquela faceta de nós mesmos, e assim começamos a criar coisas plásticas para o nosso mundo, adornos, fantasias, gestos, palavras, de repente, nem nós mesmos sabemos quem nós somos. Nos desfizemos em tantos pedaços, em tantas roupagens, em tantas máscaras, em tantas mentiras, que não sabemos mais, estamos fragmentados pelo mundo.
Buscamos tantas coisas em nossa vida, sonhos, metas, mas esquecemos de buscar a nós mesmos, o que gostamos, o que nos faz bem, quem somos, quais são nossos pontos fortes, os pontos fracos, o que nos faz feliz, o que nos motiva. Ao invés disso, passamos pela vida correndo sempre sem tempo para nós mesmos, ou quando temos este tempo estamos muito cansados, ou preferimos não mexer nisso e assim vamos apenas colocando panos negros sobre o que nos desagrada, enfeitando aquilo que é mais agradável, criando máscaras para disfarçar certas coisas e de repente, nada mais faz sentido dentro de nós. Nos tornamos dependentes de nossas máscaras, de nossas mentiras, de nossas próprias desculpas e ainda nos perguntamos por que não somos realmente felizes ou vivemos aquela felicidade de “faz de conta”.
Lembro-me da primeira vez que me encontrei com a Rosa, hoje vou chamá-la assim, minha vida estava de pernas para o ar, dentro e fora, quando ela me levou para dentro do meu mundo e pude olhar todos aqueles enfeites e máscaras e panos pretos, toda aquela confusão, primeiro eu tentei negar, mas depois eu tive que encarar a verdade, eu estava vivendo uma mentira e por isso ela estava ali, para me mostrar algo difícil, mas que eu precisava encarar. Junto com ela eu comecei a quebrar algumas máscaras, a compreender algumas feridas, a me livrar de alguns enfeites, mas é claro que nem tudo é tão claro na prática quanto é na teoria, algumas coisas não saíram como o planejado, mas ali foi o início de uma longa jornada para dentro e posso dizer que eu parei de negligenciar este mundo interior.
Comecei uma verdadeira busca de auto-conhecimento, diria mesmo de amor próprio, de auto-respeito, auto-preservação, de conhecer meus limites e impô-los, de conhecer minha verdade e expressá-la, de conhecer meus sonhos e alcançá-los, de acreditar na minha capacidade e explorá-la, de buscar a minha auto-estima, de juntar aquelas partes, aquelas facetas perdidas ao longo da minha vida. Cada pedaço, cada parte, as boas e as ruins. Em alguns momentos tive breves encontros com a Rosa, mas eram curtos, quase indolores, quase sempre ela chegava e ia embora sem causar grandes impactos, eu tinha o controle e talvez por isso, por toda esta disciplina, amadurecimento, eu achei, tolamente, que não a encontraria mais.
Olhando para o quadro completo agora, sozinha, enquanto ela está adormecida, creio que começo a entender o desenho que se faz. Nesta minha ânsia de ter o controle, de retomar o controle, de colocar ordem, de me mostrar capaz, de mergulhar neste processo, de sair da posição de dependente, sonhadora, incapaz de realizar e ficar sempre idealizando as coisas e colocando nas mãos dos outros a concretização dos meus projetos, de sempre me deixar em segundo plano, de não assumir posturas de liderança, poder, eu inverti completamente o jogo e assumi tudo isso de uma vez só e descobri que tenho tudo isso, que sou amplamente capaz, independente, realizadora, responsável, organizada, metódica, líder, poderosa e bem, assumi responsabilidades demais, rotinas demais, ordens demais, me tornei praticamente uma virginiana metódica, praticamente uma filha chata de Saturno.
O resultado disso? Stress, acúmulo de tudo, não sobrou tempo para mim, para doçura, para sonhar, para todo aquele lado doce, romântico, leve, criativo, e então uma Rosa se mostrou em meu jardim para me lembrar que nem tanto ao céu, nem tanto ao mar navegante. Então quando todas as estrelas se apagam, é que nos lembramos que somos meramente humanos, feitos de carne e osso, muito mais frágeis do que pensamos, muito mais fortes do que ousamos conhecer por outro lado. Como uma rosa, de pétalas suaves, de perfume inebriante, mas de espinhos que podem feri-lo profundamente. Então termino meus devaneios solitários desta noite com um pensamento do Pequeno Príncipe... “Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez tua rosa tão importante.” (Antoine de Saint Exupéry)





3 comentários:
Gostei do texto Carol.
Parabéns e beijos!!
OI..SEU NOME ESTÁ APARECENDO COMO CONECÇÃO DE REDE SEM FIO...ACABEI DE ME MUDAR E ESSE SINAL É BOM AQUI...COMO FAÇO P ENTRAR EM CONTATO COM LUANINCONECÇÃO DE REDE SEM FIO (INTERNET)...ME DESCULPE DEIXAR ESSE RECADO MEU EMAIL É MENSAGEIRAFELIZ@GMAIL.COM E ORKUT TMBM...POR FAVOR ME DEIXE UM TEL COMERCIAL OU CELULAR..OBRIGADA CIDA MARCOLAN.04-02-11.
Luanin,
Postar cada dia uma página, me mata!!!!
Sofro de ansiedade!
Willy
Agora
Diana Tala!
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