Strony

24 de fevereiro de 2011

14º Capítulo: O cair da máscara

                - Uma rosa para uma Rosa...
                - O que é isso?
                - Um presente oras...
                - Algum motivo em especial?
                - Na verdade não. Apenas uma lembrança, um agradecimento, um agrado, como desejar receber.
                - Obrigada.
                - Sabe Rosa, me sinto cansada, realmente cansada de toda esta roupagem. Dos momentos que pareço sorrir para não ter que dar explicações, para não preocupar, ou tão somente para manter aquele ar de normalidade porque não quero ficar pedindo socorro o todo tempo. Cansada das pessoas também, parece que se você demonstra um milímetro de força ou melhora elas já exigem de você o máximo, já supõe que está tudo bem, elas não sabem lidar com a fraqueza alheia, porque não sabem lidar com a própria.
                - É difícil encarar a verdade todos os dias, isso é para poucos...
                - Eu encaro, todos os dias! Meu medo de pessoas, de multidões, minha falta de concentração, que tem me feito atrasar minhas tarefas, estudos, eu encaro meu atual medo de tempestades, minhas angústias, minhas crises de desespero, de choro, de sono, de vontade de desaparecer, todos os dias eu enfrento todos estes monstros, só para não entregar os pontos, só para eu não, não sei exatamente para que... porque a maioria finge que não vê Rosa. É cada um no seu mundo, no seu problema e eu fazendo de tudo para me manter na superfície, se não fossem algumas pessoas maravilhosas, se não fosse você e nossos diálogos insanos, eu teria me afogado neste mar de insanidade! Isso não é certo...
                - Você está realmente chateada, sinal de que está reagindo...
                - Estou, estou chateada, estou brava, indignada, eu não queria me expor, não queria expor o problema, porque não quero que me olhem com cara de coitada ou que venham com aquele discurso patético de fraqueza, de preguiça, de bem...você conhece aquele discurso leviano, mas parece que se eu não pregar uma placa no meu peito dizendo o que está acontecendo, todos vão continuar achando que está tudo normal e vão continuar pedindo meu sangue numa bandeja. Ontem eu tive tanta vontade de sair correndo, de assinar uma carta e colocar naquela mesa para não voltar mais, de virar as costas, é tão insano Rosa... tão real...
                - Hoje você não está divagando, nem falando subjetivamente, você está se expondo, mostrando que é real.
                - Eu sou real, assim como você é real e faz parte de mim e isso não pode ser mudado. É uma realidade que não posso ignorar, não posso mudar, não posso lutar contra, posso colaborar para que se estabilize, apenas isso.
                - E como se sente com relação a tudo isso?
                - De verdade? Que eu preciso rever algumas prioridades. Três coisas eu já sei que são parte de mim e eu não quero perder ou mudar. Minha crença, minha fé... meu amor, meu relacionamento, que tem sido meu grande porto seguro... meus estudos, que levam minha cabeça pra longe, me fazem bem, me dão objetivo...
                - E o restante?
                - Eu pensei que fosse a base sabe, mas esta base está me ruindo e eu não sei o que eu vou fazer, eu só preciso ter calma para não fazer nenhuma besteira, que nestas tempestades é algo que eu sempre faço.
                - Eu bem sei...
                - Eu já descobri que eu não sou a Mulher Maravilha, eu preciso me abrir, preciso de apoio, de amigos, de pedir ajuda, de expor meus medos, meus problemas. Já descobri que por mais que eu tenha pessoas ao meu lado, esta tempestade é minha e tenho que vivê-la no meu ritmo, compreender o que ela tem a me ensinar, deixar de ser tão rígida comigo mesma, redescobrir meu lado doce, equilibrar os lados, os pesos, não me cobrar tanto. Descobri que tudo na vida é entrega, total e irrestrita, confiança, amor, que temos que confiar em nós mesmos, amar a nós mesmos, seguir nossos instintos, nosso coração e deixar que os ciclos se cumpram, que o que deve morrer morra, que o deve nascer nasça e assim tudo seja sempre renovado... que nossas máscaras por vezes nos protegem, mas muitas vezes nos aprisionam também, portanto sermos honestos com nós mesmos, com nossas virtudes e limitações é sempre o melhor caminho a seguir e que nós nunca somos imutáveis, estamos em constante mudança e aprendizado.
                - Deste jeito eu não precisarei te mostrar mais nada.
                - Boba! E agora eu vejo que guardar um problema, em partes para não me expor e não ter que ouvir coisas absurdas, por vezes também acaba sendo um problema, pois por desconhecimento dele, por uma falsa aura de normalidade, quando você não está agüentando o peso da normalidade, a cobrança por esta falsa imagem que você mesmo criou é mais cara do que as besteiras que você provavelmente virá a ouvir... eu não sei, sei que do jeito que está, as coisas estão fugindo do meu controle.
                - Existem riscos em qualquer uma delas meu bem...
                - Pelo menos estarei sendo honesta comigo mesma, quem não compreender, não poderei culpá-los por sua ignorância.
                - Compaixão é um dom de poucos.
                - Sanidade, é o que eu desejo manter.
                - Na pior das hipóteses você levanta a bandeira branca.
                - Estou quase pedindo por uma!
                - Quem sabe você não ganha uma!
                - Fraqueza?
                - Humanidade minha cara, humanidade!

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