Hoje certa melancolia se abateu sobre mim, apesar dos outros dias eu e a Rosa termos tido conversas fantásticas e isso tudo ter animado um pouco os meus ânimos, me feito enxergar além da escuridão. Talvez sejam os reflexos refletidos no espelho, os medos escondidos em cada conquista, não o medo do desconhecido, mas sim o medo de que o conhecido retorne, que antigas batalhas vencidas, talvez não tenham sido de fato vencidas, mas tal qual as máscaras que nos auto-impomos, tenham sido uma auto-ilusão e de repente das sombras elas ressurjam, mais fortes do que nunca e voltem a nos assombrar.
As horas passavam devagar, pareciam se arrastar na verdade, intermináveis, com um tic-tac lento, arrastando, o ventilador ligado não afastava o calor, o café não me mantinha desperta, o coração parecia apertado dentro do peito e o pensamento constantemente divagava, tudo parecia moroso, incômodo e as memórias ficam a rodopiar, indo e vindo sem parar, como se alguém tivesse pego milhões de fitas do passado e cortado alguns pedaços e emendado várias juntas e assim elas ficavam passando de maneira aleatória, contudo a maior parte das vezes aqueles momentos que me causavam arrepios e que eu queria manter como que esquecidos, melhor resolvidos.
Este era um daqueles dias que certamente eu desejava estar em qualquer outro lugar, uma praia, uma piscina, um iglu no meio do nada, bem não é para tanto, até porque eu não gosto tanto de frio. Um lugar de temperatura amena, de bela paisagem natural, com nenhum barulho de cidade, apenas de vento, pássaros, água e aquele cheiro de grama cortada, flores e frutas no ar, nada mais, mais ninguém, apenas eu, uma rede, um livro, uma tela, muitas cores, uma brisa constante e tempo para nada, para fechar os olhos e apenas vazio, silêncio, paz, tranqüilidade. Tudo que tenho desejado estes dias é este sentimento, tranqüilidade, não esta porção de sentimentos confusos, intensos, reflexivos, elucidativos, mas ao mesmo tempo exaustivos, emocionalmente exaustivos.
Eu bem sei que certas cicatrizes nunca se fecham completamente, dependendo da época do ano elas tornam a abrir, a causar certa dor, são acionadas com palavras ou gestos, ou cenas, ou tão somente lembranças, mas vivenciar um momento que torne-as palpável é assustador, é como dizer “o pesadelo voltou!”. Eu escolhi sair dele e não darei poder a outra pessoa, por mais que eu ame esta pessoa, para que ele volte, não mais. Toda relação envolve duas pessoas, toda dependência, relacionamento vicioso, prejudicial, dolorido, precisa da colaboração de ambas as partes, da vítima e do tirano, do vilão e do herói, do dependente e da do objeto da dependência. Eu quebrei o meu elo e o ciclo se desfez e de repente me vi querendo reatar este elo? Nem pensar!
Se tem algo que aprendi é que se tem cor de sushi, tem gosto de sushi e textura de sushi, não se engane é sushi! Não adianta querer arranjar desculpas para si mesma, que desta vez será diferente, que você tem a situação sob controle, que você já aprendeu a lição, quando você aprende sobre um padrão, quando reconhecê-lo, evite-o, porque se cair nas suas graças, ele vai te enrolar novamente e novamente e novamente!
A única cura para um vício é abandoná-lo, não existe: mas é só um pouquinho! Acho que parte desta melancolia é por ver este monstro, parte por saber que terei que ser dura caso ele tente ressurgir, parte porque amo a pessoa por traz dele e neste caso aqui só posso eliminar o padrão e não simplesmente descartar a pessoa, também estou melancólica por não ter contato a verdade a ela, mesmo pensando no seu bem, no bem de pessoas que amo mais do que tudo neste mundo, ainda sim é uma omissão e talvez eles não compreendam o meu silêncio. Escolhas...
Por que para as rosas tudo parece tão mais simples? Por que mesmo quando tristes elas permanecem rubras e perfumadas? Capazes de se defenderem com seus espinhos? No fundo talvez esta seja a beleza da humanidade ou talvez esta seja simplesmente nossa sina, nossa força, ao mesmo tempo que fragilidade, quiçá o que define humanidade...





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