Strony

11 de fevereiro de 2011

11º Capítulo: Totalidade


                  - O que foi? Você me parecia tão mais animada estes dias?
                - Não sei Rosa, sabe quando parece que você está andando sob um campo minado, sob areia movediça? Num primeiro momento parece confortável, mas ao mesmo tempo incerto, instável, como se a qualquer momento a terra pudesse abrir sob os seus pés.
                - Entendo.
                - E o que acha que pode ter desencadeado isso?
                - De alguma forma, com todas estas reflexões, eu percebi que preciso mudar certas coisas em minha vida, contudo hoje não tenho como mudar certas coisas, apenas detalhes, mas o quadro permanece o mesmo. Para haver realmente uma mudança, é como se eu tivesse que repensar em tudo, começar do zero, repintar a tela ou forçar um pouco mais, para então começar a minha obra.
                - Humm, qual é a dúvida nisso tudo?
                - Será que eu agüento Rosa? Quanto mais será que eu agüento? Eu tinha tanta certeza de minha fortaleza, de meus super poderes, da minha invencibilidade e agora não tenho mais, porém que estratégia usar? O que fazer? Era tudo tão claro, tão objetivo! Agora parece-me que tudo foge do controle, tudo parece-me cada vez mais distante!
                - Mudanças nunca são fáceis, ainda mais quando elas começam dentro, quando a tempestade ocorre dentro e fora de nós.
                - Me sinto sendo jogada para fora do barco neste momento, eu soube pedir ajuda e a recebi, agora estamos todos numa jangada, mas a tempestade é tão espessa, tão forte, que não sabemos para onde ir, ao mesmo tempo que não sabemos quanto tempo vamos durar ali.
                - Que tal apenas confiar?
                - Em algo maior? Em mim? No apoio que venho recebendo?
                - Em tudo isso, na sua própria tempestade, ela não veio em vão. Ela veio lavar, purificar, te mostrar coisas, te trazer ensinamentos, mas você está com pressa de resolver, quando na verdade talvez deva simplesmente sentir, se entregar a ela, viver. Emoção lembra? Menos razão!
                - Mas como me deixar levar pela tempestade, pelas emoções, se são elas que me desesperam, que me fazem agir como um bicho acuado? Se elas me confundem os sentidos?
                - Pare! Feche seus olhos!
                Eu podia sentir aquele desespero me subindo as pernas, a respiração ofegando, o peito sendo esmagado por mais uma crise de ansiedade, era como se o mundo me esmagasse, tentasse me sufocar, eu me sentia insignificante, queria correr, mas não me mexia, queria gritar, mas minha voz não saia, queria chorar, mas meus olhos secaram, queria... e estava ali congelada, com medo, em pânico de nada e ao mesmo tempo de tudo.
                - Você já viu algum animal perdido na floresta?
                - O que?
                - Sim ou não?
                - Ahn... não...
                - Já viu algum animal perder o rumo de caso porque chove?
                - Não...
                - Já viu algum animal não ter reação diante do maior perigo?
                - Acho que não...
                - Não esqueça desta parte em você, esta parte animal, selvagem.
                - Use seus instintos. Um animal sempre tenta fugir, correr, ou ameaçar, mesmo que não tenha a menor chance, mesmo que seja seu último grito, ele sempre volta para sua casa quando aprende a reconhecer os sinais, ele sempre encontra seu bando. Você está esquecendo da sua essência.
                - Não importa onde você esteja, lembre-se disso, não use só sua mente, a razão, vocês se vangloriam tanto por sua racionalidade, mas ela não é tudo, é apenas uma parte do que são, vocês também são animais, são emoção, são espírito, são sagrado e precisam se conectar com estas partes, ouvi-las e confiar nelas, pois elas também podem te guiar quando a razão não está conseguindo achar respostas, quando ela não está conseguindo ter o controle.
                Eu respirei profundamente e tentei encontrar esta parte em mim, tentei encontrar alguma parte em mim que não precisasse da minha razão, de ordem, que apenas agisse, sentisse, intuísse, reagisse.
                - Se a razão foi tirada do poder, é porque era necessário, porque ela estava dominando as outras partes e tirando o equilíbrio, tornando-a árida. A tempestade veio para purificar, para fazê-la lembrar... então lembre-se...
                De repente eu me vi correndo por todos os lugares, matas, desertos, praias, montanhas, sob a lua e finalmente a tempestade me alcançou, eram raios, trovões, ela balançava meus cabelos de forma selvagem, como selvagem eu era naquele momento e de repente um raio me acertou, em cheio e sem explicação nenhuma eu uivei, longamente, intensamente.
                Quando abri os olhos eu estava mais calma, sentia uma eletricidade percorrendo meu corpo, respirei profundamente e olhei para a Rosa.
                - Então que venha a minha tempestade...
                - Nunca se esqueça de quem você...
                - Não vou esquecer....
                - Não deixe que a razão controle a sua totalidade.
                - Mais uma vez, muito obrigada!

1 comentários:

Aidara disse...

Exato! Confiar na tempestade ...
" ...Ás vezes não existem palavras que estimulem a coragem, ás vezes é preciso simplismente mergulhar.
CONFIE na direção em que o amor o levar.
A única confiança necessária é a de saber que, quando ocorre um final , vai surgi um novo começo. ..."