Strony

12 de maio de 2017

Tempo

O tempo é inexorável, ele não para e espera que descubramos o caminho, que curemos as feridas, que compreendamos nossos medos, ele simplesmente segue e em seu tic tac a vida corre, as oportunidades se esvaem, os amores perecem se não alimentados, as amizades esmorecem  sem cuidado... e se permanecermos sentados, fitando o nada e nos questionando como chegamos ali, o que faremos agora, por que tudo parece tão cruel? Não há tempo para permanecer inerte e crer que de alguma forma mágica tudo irá se resolver.

Por vezes abrir os olhos é uma tarefa hercúlea e olhar-se no espelho, pensar em todas as mentiras sociais que contará ao longo do seu dia, tudo isso parece exaurir, mas é necessário o movimento, pois só ele traz a mudança e é necessário arriscar outros movimentos, porque mesmas ações sempre trarão os mesmos resultados.

Então por que é mais fácil crer que há uma conspiração do universo que nos aflige e nos leva para as mesmas situações? Mágoas, decepções, traições, como se fossemos uma espécie de imã para a atrocidade. Exatamente porque mesmas posturas, mesmos padrões, sempre nos trarão as mesmas situações e assim, até que consigamos olhar para dentro e buscar estes comportamentos reativos, que nos levam inconscientemente ao mesmo lugar, onde julgamos ser o lugar “seguro”, “conhecido”.

Estranho é pensar que se o tempo é inexorável e mudança é a única certeza em nossas vidas, porque a cada dia somos diferentes em algum aspecto, ainda que seja em idade, aparência, por que somos tão resistentes a mudar? Por que sempre buscamos no outro os problemas ou as respostas? Não existem salvadores, pessoas capazes de nos tirar de onde estamos, a única pessoa de fato capaz de mudar, somos nós mesmos.

E nesta busca, agir, fazer, ser diferente, é ir contra a corrente, aos movimentos que nossa mente e corpo já conhecem, assim sempre haverá uma resistência, uma força te empurrando pela tangente, ou por vezes somos nós que nos induzimos a ir pela tangente, quanto de repente o ideal seria fazer outro trajeto, conhecer outra alternativa.

Então, enquanto escrevo estas palavras o tempo corre, pulsando e tic-tacqueando, sem esperar o que eu desejo, mas me dá sempre a oportunidade de olhar as coisas por outros ângulos, explorar outras respostas e neste ponto, mergulhar em si mesmo nunca será uma perda de tempo. Perder o tempo é querer contar a história de cada grão de areia que caiu, tentar justificar porque está presa naquele momento, esperar que algo possa simplesmente trazer tudo de volta, ou mudar a realidade a sua volta.

E quando olhar um grão de areia, uma lembrança, aquilo nada mais é do que a visão que tinha naquele momento, que poderia ser completamente diferente hoje, assim como é apenas uma versão da história, porque memórias envolvem pessoas e pessoas envolvem visões pessoais, cada um com sua verdade, feridas, medos e anseios, não existe “a verdade”, existe o que éramos e sentíamos naquele momento e o que decidimos guardar daquela história.

E você, o que está fazendo com o seu tempo?


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