O tempo é inexorável, ele não
para e espera que descubramos o caminho, que curemos as feridas, que
compreendamos nossos medos, ele simplesmente segue e em seu tic tac a vida
corre, as oportunidades se esvaem, os amores perecem se não alimentados, as
amizades esmorecem sem cuidado... e se
permanecermos sentados, fitando o nada e nos questionando como chegamos ali, o
que faremos agora, por que tudo parece tão cruel? Não há tempo para permanecer
inerte e crer que de alguma forma mágica tudo irá se resolver.
Por vezes abrir os olhos é uma
tarefa hercúlea e olhar-se no espelho, pensar em todas as mentiras sociais que
contará ao longo do seu dia, tudo isso parece exaurir, mas é necessário o
movimento, pois só ele traz a mudança e é necessário arriscar outros movimentos,
porque mesmas ações sempre trarão os mesmos resultados.
Então por que é mais fácil crer
que há uma conspiração do universo que nos aflige e nos leva para as mesmas
situações? Mágoas, decepções, traições, como se fossemos uma espécie de imã
para a atrocidade. Exatamente porque mesmas posturas, mesmos padrões, sempre
nos trarão as mesmas situações e assim, até que consigamos olhar para dentro e
buscar estes comportamentos reativos, que nos levam inconscientemente ao mesmo
lugar, onde julgamos ser o lugar “seguro”, “conhecido”.
Estranho é pensar que se o tempo
é inexorável e mudança é a única certeza em nossas vidas, porque a cada dia
somos diferentes em algum aspecto, ainda que seja em idade, aparência, por que
somos tão resistentes a mudar? Por que sempre buscamos no outro os problemas ou
as respostas? Não existem salvadores, pessoas capazes de nos tirar de onde
estamos, a única pessoa de fato capaz de mudar, somos nós mesmos.
E nesta busca, agir, fazer, ser
diferente, é ir contra a corrente, aos movimentos que nossa mente e corpo já
conhecem, assim sempre haverá uma resistência, uma força te empurrando pela
tangente, ou por vezes somos nós que nos induzimos a ir pela tangente, quanto
de repente o ideal seria fazer outro trajeto, conhecer outra alternativa.
Então, enquanto escrevo estas palavras
o tempo corre, pulsando e tic-tacqueando, sem esperar o que eu desejo, mas me
dá sempre a oportunidade de olhar as coisas por outros ângulos, explorar outras
respostas e neste ponto, mergulhar em si mesmo nunca será uma perda de tempo.
Perder o tempo é querer contar a história de cada grão de areia que caiu,
tentar justificar porque está presa naquele momento, esperar que algo possa
simplesmente trazer tudo de volta, ou mudar a realidade a sua volta.
E quando olhar um grão de areia,
uma lembrança, aquilo nada mais é do que a visão que tinha naquele momento, que
poderia ser completamente diferente hoje, assim como é apenas uma versão da
história, porque memórias envolvem pessoas e pessoas envolvem visões pessoais,
cada um com sua verdade, feridas, medos e anseios, não existe “a verdade”,
existe o que éramos e sentíamos naquele momento e o que decidimos guardar
daquela história.
E você, o que está fazendo com o
seu tempo?





0 comentários:
Postar um comentário