Strony

8 de outubro de 2009

Devaneios

Há um silêncio deste lado do mundo, uma melancolia tênue, quase imperceptível no ar. Talvez seja a chuva, o frio que toma a casa, cômodo a cômodo. Talvez não seja nada, somente a apatia de um dia perdido em pensamentos. Ou quem sabe então aquela maresia antes da tempestade? Ou quem sabe o suspiro suspendo no ar, de palavras não ditas? A espera de algo que já sabemos que não acontecerá, mas numa tentativa inútil de alimentarmos nossas ilusões continuamos aguardando debilmente. Até mesmo aquela boa sensação que percorre todo o corpo depois que algo muito bom acontece e como um anjo caído no ouvido, nos perguntamos o que está por vir para ter acontecido algo tão bom, como se já não fossemos capazes de acreditar que coisas boas acontecem apenas por acontecer, assim como as ruins. Quem sabe então a inquietação de nossa mente, corpo, sentimento, que nos impulsiona sempre para mudança? E quando tudo parece tão certo, tão estagnado, é hora de uma nova mudança? Hum, talvez seja este o silêncio que ouço esta noite...

O silêncio de placas tectônicas se mexendo silenciosas no meu íntimo, movendo-se, arranhando-se, fazendo reverberar todos os velhos conceitos, as velhas idéias, aquilo que não mais se encaixa, que perdeu o sentido num último movimento. Aquele movimento interno, que é tão saudável e tão necessário para o nosso crescimento, aprendizado, quiçá nossa sobrevivência! Pois se tivéssemos ficado parados no tempo, teríamos sido engolidos por enormes criaturas que caminhavam conosco sobre a Terra. E ainda hoje podemos ser engolidos a qualquer tempo, pelo engodo da rigidez, pelos dragões de nosso imaginário que nos fazem colidir uma e tantas vezes de encontro com as paredes rígidas de nossa fortaleza.

Até mesmo as pedras são moldadas pelo tempo, pelo vento, pelas águas, por que alguns de nós ainda insistem tanto em se prenderem aos seus jargões arcaicos? Em seus verbetes defasados? As suas idéias quadradas e arquitetas para proteger sua estrutura frágil e demente? Teriam eles medos da inefável mudança que os tange? Teriam eles medo de experimentarem novos sabores, novas cores e então terem que admitir para si mesmos que foi bom? Seria medo então de se virem sem suas muralhas, sem chão, levados pela correnteza débil do inusitado? Creio que o que mais os assusta é perder as linhas que os pendem em seu imaginário, como marionetes de seu próprio Ego controlador. Sim, perder o controle deve ser de fato algo assustador!

Imagine não saber o que haverá para o almoço de sábado? Se receberá flores no aniversário? Se irá de ônibus ou de carro para uma viagem inesperada? Perder o dia? A hora? A semana? O mês? Meu deus, em que ano estou? Aliás, que sentido faz saber que hoje são oito de outubro de 2009? É algum paradigma para contar quantas horas para o fim?

Creio que meu silêncio é de fato o movimento sutil de minhas placas tectônicas, unido a rigidez banal daqueles que tentam controlar tudo, até os próprios murmúrios, como se houvesse enfim como conter toda aquela fúria interna que um dia irá vir a superfície, ou então, terá vivido em vão... num morno controle da imensidão...

1 comentários:

Tyrfang Hollydragon disse...

Muitas vezes a gente se perde em esperanças que nos iludem e nos mantem atados a velhos conceitos, velhas idéias, velhas amizades...
Ficamos assim ancorados em expectativas somadas a sensação daquilo que podia ter sido
Mas o mundo gira, o tempo passa e os veus caem...
Amo-te hoje e cada vez mais