Strony

21 de outubro de 2009

Verdades Plásticas

É engraçado como de repente as pessoas tentam fugir de tudo. Homens e mulheres se tornaram escravos das plásticas para enganar o tempo, para não parecerem tão velhos, tão enrugados, como se através destes atos eles pudessem enganar o tempo, as lembranças, as memórias, os olhos daqueles que passam ao seu lado e que acompanham sua história.

E nesta fuga de si mesmo, muitos sorriem o tempo todo, outros choram a cada momento, se afundam em seus medos, em suas paranóias, ou satisfazem seus egos com uma porção de coisas fúteis, como se tudo aquilo pudesse aplacar o vazio que está dentro deles, rugindo com os TIC TAC do relógio.

Tudo soa plástico, artificial, programado. Até mesmo muitas músicas que ouvimos hoje são assim, parecem frutos de uma mesma forma que deu certo, mudam os nomes, mas os rostos, as roupas, as letras, os conteúdos, são os mesmos, tão vazios, falando de sentimentos e sensações que os assustam e que muitas vezes os fazem cair no vazio para alimentar o nada, para fuga de si mesmo, que se tornou o maior monstro de todos os tempos.

Porque pensar em suas dores, em suas histórias, em suas lágrimas, em seus fracassos, se tornou um tormento. Porque envelhecer, ser tornar flácida, demonstrar a fragilidade inexorável do tempo, se tornou bizarro! Porque se enquadrar no sistema, na moda, se tornou habitual. Porque pensar, se tornou vão...

E assim seguimos, num mundo plástico, cheio de futilidades e fugas, de medos e tormentos, de dores e silêncios, de risos que não são mais risos, de lágrimas que não são mais lágrimas, de amores que não são mais verdadeiros, que o profundo, o romântico, o intenso, se tornou cafona. Cantamos hinos sem significado e permanecemos adormecidos, amortecidos, anestesiados pela realidade, mas o que mesmo?

De repente somos apenas Alices, em seu mundo encantado.

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