Strony

6 de outubro de 2009

Refluxos

E então, é apenas o silêncio diante ao mar, o olhar distante, o pensamento vago, nada certo, somente o ir e vir e o farfalho das ondas. Como se não houvesse tempo preciso, como se não houvessem feridas, lamentos, mágoas, tão pouco lembranças. Apenas o mar e nada mais...

Aquele oceano de imensidão, de sonhos perdidos, de amores náufragos, de sereias encantadas, de barcos sem direção. Uma grande imensidão de vazio, tão profundo quanto meus sentimentos, tão raso quanto os meus pensamentos, tão indecifrável quanto a saudade.

Aquele mesmo mar, de onde vem toda a vida, onde tudo um dia surgiu e para onde de alguma forma tudo retorna, o ventre do mundo, a força inefável da criação, o burburinho suave, como uma dança em evolução.

E então o mar, como os fluxos e refluxos dentro de mim, trazendo de volta, deixando ir, seguindo em frente, levando embora, o que não mais fica já não importa, o que permanece é porque tem entranhas, raízes profundas no meu universo em ebulição.

Não há dor, não há tormento, apenas o ir e vir das águas, sentimentos, pensamentos vagos, olhos em dilúvio constante, limpando a alma, tocando a mente, despertando o que estava esquecido, esquecendo o que foi perdido.

E então, é apenas o silêncio diante ao mar, a quietude insone de suas ondas e movimentos, de sua dança, encantamentos. Vazio então o que era cheio, cheio de tanto vazio no país estrangeiro. Pois é preciso compreender os ciclos, os fluxos, as marés da vida e como mar, apenas acompanhar o ir e vir sem sofrimento, sem se prender, sem lutar, sem se entregar...

No fim, tudo é apenas o mar em movimento, partidas e chegadas, lágrimas e risadas, lembranças e esquecimentos, tudo no profundo silêncio do profundo mar em movimento!

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