Strony

9 de setembro de 2008

Algumas coisas nos são tão caras, tão preciosas, que ousar pronunciá-las faz com que a magia se quebre, que o encanto se dissolva, que o sonho como uma bolha de sabão que toca a mão, estoure e se faça em milhões de pequenas gotas d’água. Alguns sonhos são tão dourados, que exigem que nós façamos escolhas realmente difíceis, exigem que deixemos tudo o que conhecemos para trás, para assim experimentarmos o novo! É preciso ter uma taça vazia para que possamos enchê-la com coisas, conhecimentos, conquistas novas...

Mas não é segredo também que para nós, seres humanos, imperfeitos, sonhadores, apegados a nossa realidade, ao que conhecemos, conquistamos, que é muito difícil abrir mão de tudo para alçar novos vôos e quanto mais este tudo, diz respeito a tudo, mais difícil é, mais assustador é. É como fechar os olhos e ao abri-los estar em um lugar diferente, com pessoas diferentes, com costumes diferentes, o novo sempre nos soa assustador!

É estranho olhar a sua volta e ver tudo aquilo que você conhece, pensar no quanto batalhou para conquistar cada coisa, cada livro, cada roupa no seu armário, cada bibelô na sua estante, cada lembrança das coisas que você têm, que você possui. E se de repente, tudo aquilo não estivesse mais lá? É, o aperto no peito é inevitável, as incertezas são como uma pedra sobre o peito segurando o ar e a cabeça racional funcionando desesperada procurando uma razão, os sentimentos buscando referências, tentando se encaixar como loucos...

Porém, grandes feitos, exigem grandes riscos, grandes mudanças, trazem mais mudanças ainda e não só físicas, mas daquelas mais valiosas ainda, mudanças de conceito, de verdades, de valores, daquelas que nos acompanham pela eternidade. O quanto estamos dispostos a arriscar? O quanto estamos dispostos a abandonar o que conhecemos em nome de novos vôos? O quanto os nossos medos nos prendem ao conforto do conhecido, ao invés de ir mais longe em busca do desconhecido?

Uma coisa é certa, quando embarcamos em grandes viagens, grandes embarcações, nunca se volta o mesmo, quanto maior a mudança, maiores os riscos e as certezas de que não mais seremos os mesmos, mas também de que seremos melhores porque enfrentamos nossos próprios medos e ousamos quebrar alguns paradigmas.

Assustador, não é mesmo?

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