Posso ouvir seus passos a tilintar
Ouço sua respiração ofegando através de meu olhar
Sinto seu suave toque congelando cada parte
Suas unhas arranhando suavemente a pele
E com um fechar de olhos eu rezo...
Rezo para que meu silêncio seja o seu
Para que seus desejos não me preencham
Mais que uma prece, é um apelo
Pois quando toca minha pele sinto-o despertar
Olhos negros que fitam
Insanidades que instigam
Cada morder de lábios é sua voz que quer ecoar
...
Sedutor...
Fugaz...
Torpe...
Todo abismo que há em mim está em você
Tudo que está em você por vezes tão pungente em mim
Ecos distantes de uma passado esquecido
Ou ecos do que desejo esquecer, calar, amortecer
Não posso deixá-lo sair, porque quando sai se envaidece
Enlouquece...
Tudo que não ouso dizer, fazer, pensar...
Adoráveis sombras que tranquei na escuridão de minh’alma
Agridoce sabor que escorre, transpira
Ninguém sabe o que é ser o escorpião
Ouvir a escuridão que habita em você
Não...
Não posso deixá-lo escapar...
Porque sei que vou gostar
Então silencie! Esquive! Esqueça...
Nem toda fortaleza é tão forte quanto parece
E por vezes me sinto rachar
Cada parte fragmentando
Estalos, silêncio, tensão
E lá está você a me espreitar
Convidando-me para entrar
Mas não quero esta dança
Porque ela vai me levar
Para onde não ouso voltar...






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