Se uma gargalhada pudesse
anteceder cada nosso encontro, seria aberta, larga, quase que exaustiva,
daquelas de doer a barriga e então o fitar de olhos, olhos que me desnudam,
conhecem, reconhecem, pois não são necessárias palavras para aquelas que
conhecem a pele, o cheiro, o andar, cada mudança de olhar.
Ah Pequena Rosa, por vezes ouso
desejar que fosse real, palpável, feita de carne, osso e ironia, mas sei que se
me embrenhasse nestes braços eu me perderia, não mais despertaria, entorpeceria
cada parte minha só para não mais despertar.
Mas sim que não posso me
entregar, então alegro-me de ter sua presença ainda que em meus pensamentos,
acompanhando cada passo, cada suspiro, cada desvio, cada tentativa e erro de
encontrar a mim mesma.
Senti-la por perto é um misto de
sensações, entre tristeza, incerteza, vazio, mas ao mesmo tempo plenitude. A certeza
de que o oceano está ali, com suas águas calmas em sua superfície e seu
turbilhão em suas profundezas. Quem mais me conhece além de você? Quem é capaz
de traçar um mapa entre as angústias, as delícias, os sonhos e desilusões? Cada
passo em falso em busca de não encontrá-la, mas ao encontrá-la saber que ali
sempre esteve.
Sinto me por vezes errática,
bipolar, insana por esta relação que teço, esta proximidade com o abismo que me
faz palpitar, mas a certeza que estou viva em cada tilintar. São como cristais,
peças que coleciono para colar no céu de minha imensa escuridão. Poetizando as
lágrimas que cristalizam em meu interior e quiçá um dia se tornarão diamantes
para outro alguém lapidar.
Ah Rosa, querida Rosa, não
existem mais significados ou significâncias para te mostrar, apenas um sorriso,
um abraço, um encontro, não que haja desejo no reencontro, mas totalidade em
cada despertar.
Cá estamos, de volta e novamente,
nada preciso dizer, pois sei que comigo está...





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