Strony

17 de novembro de 2017

Reencontros


Se uma gargalhada pudesse anteceder cada nosso encontro, seria aberta, larga, quase que exaustiva, daquelas de doer a barriga e então o fitar de olhos, olhos que me desnudam, conhecem, reconhecem, pois não são necessárias palavras para aquelas que conhecem a pele, o cheiro, o andar, cada mudança de olhar.

Ah Pequena Rosa, por vezes ouso desejar que fosse real, palpável, feita de carne, osso e ironia, mas sei que se me embrenhasse nestes braços eu me perderia, não mais despertaria, entorpeceria cada parte minha só para não mais despertar.

Mas sim que não posso me entregar, então alegro-me de ter sua presença ainda que em meus pensamentos, acompanhando cada passo, cada suspiro, cada desvio, cada tentativa e erro de encontrar a mim mesma.

Senti-la por perto é um misto de sensações, entre tristeza, incerteza, vazio, mas ao mesmo tempo plenitude. A certeza de que o oceano está ali, com suas águas calmas em sua superfície e seu turbilhão em suas profundezas. Quem mais me conhece além de você? Quem é capaz de traçar um mapa entre as angústias, as delícias, os sonhos e desilusões? Cada passo em falso em busca de não encontrá-la, mas ao encontrá-la saber que ali sempre esteve.

Sinto me por vezes errática, bipolar, insana por esta relação que teço, esta proximidade com o abismo que me faz palpitar, mas a certeza que estou viva em cada tilintar. São como cristais, peças que coleciono para colar no céu de minha imensa escuridão. Poetizando as lágrimas que cristalizam em meu interior e quiçá um dia se tornarão diamantes para outro alguém lapidar.

Ah Rosa, querida Rosa, não existem mais significados ou significâncias para te mostrar, apenas um sorriso, um abraço, um encontro, não que haja desejo no reencontro, mas totalidade em cada despertar.


Cá estamos, de volta e novamente, nada preciso dizer, pois sei que comigo está...

0 comentários: