Por vezes me sinto andando em um quarto vazio, de pé descalços, onde tudo que resta é a claridade das paredes brancas a minha volta e o silêncio, acompanhado de meus pensamentos, estes no entanto são infindáveis. Talvez pudesse escrever em tais paredes milhões de versos, preencher aquele vazio com palavras desconexas, que só fazem sentido para uma pessoa, preenchê-las com imagens, desenhos, rabiscos, gritos, qualquer coisa que expresse toda a fúria de meu oceano interno, ocultada por paredes brancas, por uma superfície silenciosa e calma.
Muitas vezes os olhos nos enganam, nos fazem crer em coisas que nos parecem tão certas e de repente ao pisarmos naquele solo, nos jogarmos naquele lago, descobrimos que não passava de uma bela miragem, de um reflexo do que buscávamos encontrar, de uma ilusão que colorimos com a nossa esperança, mas quando a areia movediça começa a ceder sob os nossos pés e nos vemos ali diante de nosso próprio desespero e nada podemos fazer apenas não nos debatermos pois assim seremos engolidos ainda mais rapidamente, compreendemos as armadilhas que nós mesmos nos impomos.
Aquela linha, tão tênue da sanidade, ela parece escorrer por entre nossos dedos e nada é capaz de fazer a história retroceder, nem arrependimento, raiva, perdão, angústia, culpa, nada... talvez compreender todo o enredo, traga um pouco de razão e faça a sanidade permanecer por mais alguns instantes. Quem sabe um novo personagem? Alguém para dialogar sobre este novo quadro que se faz diante de meus olhos? São tantos planos, esperanças, sonhos, desejos, mas ao mesmo tempo um emaranhado que me prende, confunde, me arranca o ar por vezes e me remete a pensamentos torpes, vontades que não me pertencem, uma prisão que não quero continuar. Quem são nossos algozes? É hora de virar a mesa, esta música é quase uma oração. Tem dias que eu penso, sim, estou perdendo a razão.





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