Strony

2 de outubro de 2011

Virando a Página


Após tantos devaneios com minha Rosa, creio que chega o momento de mudar, de olhar as coisas por outro ângulo, de abrir novamente as comportas e buscar novos horizontes, novas perguntas e respostas e por mais que tais devaneios, capítulos e reflexões tenham sido fundamentais é hora de abandoná-los, de virar a página.

Compreender minha depressão, dialogar com ela, entender suas feridas, porque de sua existência dores, necessidades, onde ela queria chegar ou até mesmo porque ela chegou, por mais que nem todas as respostas tenham sido respondidas, foi uma forma de me compreender melhor, de compreender a própria doença, de aceitação, do problema, da solução, da doença, do meu próprio processo, de minhas entranhas e tudo que por vezes não conseguimos expor para o mundo, nem para nós mesmos. A Rosa era este personagem, a doença tipificada em pessoa, com a qual eu dialogava, um monólogo que travei em busca de compreensão.

Talvez hoje não haja mais porque falar sozinha, talvez hoje hajam outras pessoas com as quais eu possa compartilhar meus devaneios, ou simplesmente o ícone, a Rosa, atingiu o seu objetivo, a compreensão que buscava alcançar e assim sendo não tem porque de ser, de continuar sendo neste mundo, neste universo paralelo, talvez ela deva ir para outro mundo, outro universo, ajudar outra pessoa a se compreender e mergulhar em seus encantos e desatinos.

Hoje me vejo em outro estágio, em outro movimento, menos interno, por mais que por vezes eu entre neste mundo e confronte seus horrores, seus rubores, seus sabores e me entorpeça e me perca, mas logo estou de volta a superfície procurando redirecionar o meu barco, acertando a minha rota, conferindo meus mapas e retomando minha jornada, sempre em movimento, nesta busca incessante de autoconhecimento, crescimento, nesta busca insaciável por si mesmo!

Muito de mim se rompeu nestes últimos tempos, foi exposto, aberto, ferido, cicatrizado, curado, quebrado, reconstruído, deixado para trás e o barco segue, levando aprendizados, histórias, lembranças, risos, tudo o mais o tempo irá cuidar e assimilar, somando neste mapa estelar, nesta espiral de sonhos e quem sabe tecer mais alguns pontos nesta trama, nesta grande colcha de retalhos que é o meu ser, juntando pedaços aqui e outros acolá! Cabe a cada um escrever o quer deixar no meu cobertor de sonhos e lembranças...

Mas a Rosa se vai, o barco volta a correr e os ventos batem em meus cabelos e é hora de renovar, um novo ciclo se inicia e não há como parar quando o tic tac começa sussurrar. Obrigada minha Rosa, obrigada Sr do Tempo, que se vá e o novo tempo venha, pois já é hora de recomeçar... 

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