Strony

6 de setembro de 2011

A Visita

O eco dos meus passos parecia tudo que havia naquele quarto vazio, o mesmo cenário de sempre, de tantos diálogos, de tantas histórias, de tantas reflexões, quem diria que desta vez seria eu a procurá-la ao invés do contrário. Sentei na cama e fiquei a fitar tudo em volta tentando buscar algum significado naquela visita aquele lugar, aquelas lembranças, aquele perfume que ainda pairava no ar.
- Quem diria eu aqui por vontade própria...
Deitei na cama e me pus a fitar o teto e divagar.

- Sabe Rosa, por muitos momentos tive medo de reencontrá-la, de me ver presa novamente em seu mundo, em ter que olhar para dentro e temer que mais ninguém além de você pudesse me enxergar ou compreender e que estivesse mais uma vez fadada a estas paredes, a tais sentimentos. Então reencontrei minha força, meu ar, meu sentido e aprendi tanto contigo em nosso último encontro e aprendi a respeitá-la, assim como a mim, meus ritmos, minha natureza e creio que assim passei a temê-la menos e agora que sinto seu aroma nas redondezas e que talvez nos reencontremos, não a temo, não a desejo, mas não a temo, assim como sei que posso contar com outras pessoas, que não preciso me isolar aqui, mas admito que por vezes são nestas paredes que encontro algum conforto, alguma compreensão, alguma sanidade para tudo que se passa aqui dentro, como meu oceano interno, o profundo que leva ao profundo, sem censuras, sem críticas, mas reflexões, reflexos, que me levam a me ver como sou...
Suspiros...

- Ahh Rosa, as pessoas conseguem macular o mais belo dos poemas, a mais doce as músicas, a mais tenra das rosas, o mais singelo dos toques e demonstrações de carinho, são capazes por vezes de macular até mesmo o mais puro dos sentimentos para se sentirem bem consigo mesmas...  esta minha insanidade Rosa, esta minha mania de acreditar no melhor, no sonho, talvez ainda virá a ser o motivo da minha sucumbência! Por que não podemos tão somente entrar em nossos casulos e tornarmos borboletas? Pegarmos nossas dores, tristezas, sonhos e transformarmos em asas para um próximo vôo? Eu me sinto perdendo a sanidade dia a dia, como se a cada passo um fio fosse deixado para trás...
Meus risos então ecoam pelo quarto como uma prece.

- Será Rosa, será que assim você me levaria para um mundo encantado? Será que talvez em pleno devaneio as coisas fariam algum sentido? Será que de alguma  forma você ouve estas palavras? Ou será que minha insanidade chegou a tal ponto que até você não é real? Espero que estas paredes possam registrar estes relatos, estes devaneios, pois de alguma forma, dizê-las aliviam este turbilhão de sentimentos. Obrigada, por tudo!

1 comentários:

Day Berton disse...

Não há ninguém melhor para ouvir nossas dores do que nossa Rosa. Insanos? Todos somos, em busca da sanidade para fazermos parte de algo que talvez não pertençamos. Espíritos livres, prontos para alçarem voos mais altos, em busca da realização de histórias que tecemos nos profundos pensamentos da mente perdida entre a realidade e a fantasia.