Strony

27 de outubro de 2009

Ditadura da Beleza

Hoje me deparei com um post fantástico e como todo post fantástico, gerou milhares de polêmicas e opiniões controversas. Para mim o fato é que homens e mulheres estão fartos da ditadura da beleza, em medir um potencial namorado pela quantidade de músculos que ele tem, ou uma mulher pelos seus seios e bundas perfeitas, como se pessoas não fossem nada além de uma imagem, uma embalagem, algo tão descartável quanto um maço de cigarros vazio.

Além de cruel, esta ditadura é responsável por milhares de problemas e doenças, como anorexia, bulimia, injeção de hormônios de cavalo para atingirem aquele “ideal de beleza”, mas a pior das doenças não são as físicas, porém aquelas que vão mais além, que é a clara inversão de valores, pois neste mundo de “belos” valoriza-se a aparência e esquece-se do conteúdo. O cafajeste passa a ser bem mais atraente do que o bom moço, a mulher fácil, fatal e fútil, passa a ser muito mais interessante do que a que busca por mais do que um príncipe encantado.

Estamos numa era no mínimo estranha, ou talvez estejamos abandonando a nossa inteligência e voltando a viver como animais, pois para eles sim é importante o vigor físico, o macho ou a fêmea que podem transmitir os melhores genes para a continuidade da espécie. Será que estamos voltando a idade das pedras? Acho que alguns sim, porém outros no entanto parecem estar despertando deste paradoxo comercial, capitalista, fincado no universo da moda de modelos anoréxicas escravas de folhas de alface e começando a perceber que beleza não põe a mesa, não estabelece um relacionamento bacana.

Não que eu tenha algo contra mulheres ou homens bonitos, como toda pessoa normal eu acho agradável olhá-los e ter delírios eróticos *rs*, só que não podemos nos prender a isso apenas, a procurar algo duradouro com algo tão plástico, ainda mais nos tempos de hoje onde qualquer um compra um bom par de seios siliconados. É mais um ode aos valores, a pessoa, as suas qualidades que superam seus defeitos, a um buscar de respeito, valorização, companheirismo, prazer, alegria, entrega e não um folhetim bonito e vazio, repleto de palavras sem sentido.

Uma taça sempre será apenas uma taça, por mais bonita que seja. Agora uma taça repleta com um bom vinho, hum esta sim pode de proporcionar as mais variadas delícias, prazeres e delírios...

Um brinde ao fim da ditadura da beleza!

22 de outubro de 2009

E se...?

E se eu te esquecesse? Como quem esquece um nome, uma palavra, uma história?
Apagaria o vazio que me consome por dentro? Diluiria todas as lembranças boas e ruins?
Ou será que ficaria um borrão em meus pensamentos? Um vazio ainda maior e constante?
Seria eu capaz de arrancá-lo de dentro de mim? Ou ficaria a marca como fica uma tatuagem ou uma cicatriz?
Será que o gosto dos teus lábios desapareceria? Teu cheio ou perfume?
Sumiria a maciez dos teus cabelos sobre o meu corpo? Será?
E se eu escrevesse uma música? Será que transferiria para ela toda a magia e encanto?
Ou talvez um desenho? Um grito? Um esboço? Uma fotografia talvez?
Haveria como apagar todas estas coisas que você me fez? Tão boas, tão doces? Tão amargas, tão profundas?
E se eu... te arrancasse do peito? Junto com as entranhas e todo resto? Extinguisse tudo como quem pula de um penhasco de braços abertos?
Ainda sim, eu sei, que pensaria em você durante a queda e tentaria me agarrar a qualquer lembrança tua, a qualquer lampejo... e talvez ainda você me salvasse só para estender o meu tormento.
E se eu então me apaixonasse? Um outro alguém, outra história, outro romance? Seria possível? Afastaria tua lembrança de uma vez? Para sempre talvez?
E se eu tivesse forças, para fazer qualquer coisa e não somente tecer idéias que sei que não farei....

(Por Ela, no vazio completo de seu desespero e ausência, alguém que fui e que nunca mais tornarei a ser. Fim!)

21 de outubro de 2009

Verdades Plásticas

É engraçado como de repente as pessoas tentam fugir de tudo. Homens e mulheres se tornaram escravos das plásticas para enganar o tempo, para não parecerem tão velhos, tão enrugados, como se através destes atos eles pudessem enganar o tempo, as lembranças, as memórias, os olhos daqueles que passam ao seu lado e que acompanham sua história.

E nesta fuga de si mesmo, muitos sorriem o tempo todo, outros choram a cada momento, se afundam em seus medos, em suas paranóias, ou satisfazem seus egos com uma porção de coisas fúteis, como se tudo aquilo pudesse aplacar o vazio que está dentro deles, rugindo com os TIC TAC do relógio.

Tudo soa plástico, artificial, programado. Até mesmo muitas músicas que ouvimos hoje são assim, parecem frutos de uma mesma forma que deu certo, mudam os nomes, mas os rostos, as roupas, as letras, os conteúdos, são os mesmos, tão vazios, falando de sentimentos e sensações que os assustam e que muitas vezes os fazem cair no vazio para alimentar o nada, para fuga de si mesmo, que se tornou o maior monstro de todos os tempos.

Porque pensar em suas dores, em suas histórias, em suas lágrimas, em seus fracassos, se tornou um tormento. Porque envelhecer, ser tornar flácida, demonstrar a fragilidade inexorável do tempo, se tornou bizarro! Porque se enquadrar no sistema, na moda, se tornou habitual. Porque pensar, se tornou vão...

E assim seguimos, num mundo plástico, cheio de futilidades e fugas, de medos e tormentos, de dores e silêncios, de risos que não são mais risos, de lágrimas que não são mais lágrimas, de amores que não são mais verdadeiros, que o profundo, o romântico, o intenso, se tornou cafona. Cantamos hinos sem significado e permanecemos adormecidos, amortecidos, anestesiados pela realidade, mas o que mesmo?

De repente somos apenas Alices, em seu mundo encantado.

15 de outubro de 2009

Amor

É engraçado pensar em amor. Alguns dizem que não precisam, outros que é o ar que eles respiram, outros buscam o amor em cada olhar, outros amam até chorar, mas de alguma forma todos procuram amar. Através de seus “Felizes para Sempre”, ou de seus “Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”, de alguma forma todos querem encontrar seu par.

Alguém que os valorize, que os veja tal qual são, que os apóie, que os ouça, que se enamore, que se enterneça, que sorria junto, que dê gargalhadas, que acarinhe através das madrugadas, que sussurre juras eternas até o momento final. Todos querem sentir borboletas no estômago, aquele frio na barriga quando vê o alvo de sua paixão, se entregar sem medo, derreter nos braços e falar palavras sem sentido algum.

Amor faz bem! Mas para fazer bem tem que começar de dentro, por si mesmo, um desvendar do seu interior, um deliciar de suas virtudes, um compreender de suas limitações, um explorar de suas verdades e quando ele transborda de dentro para fora, ele encontra no outro não uma dependência, mas um encontro, de vidas, amores, curiosidades, gostos, sabores, desejos, prazeres, sonhos e ajuda a tecer a nós mesmos, nos faz crescer, sorrir e suportar o mais duro dos momentos, porque ele está lá ao nosso lado, sem cobrança, sem paranóia, sem desespero, sem dependência, está lá, porque lá quer estar.

Amor tem que começar de dentro, de você, no seu olhar, no seu espírito, da sua alma, da sua essência, se não, não faz sentido... é como buscar água num oásis e se perder no meio do deserto, pois não passa de uma miragem, um delírio. Se amamos de fora para dentro, buscamos no outro um suprir de necessidades, de vazio, de carência de si mesmo, do outro, do que o outro nos fez e de repente vivemos um filme repetido e triste, que já assistimos tantas vezes, pois colocamos nos outros todas as expectativas e no entanto esquecemos de plantar aqui dentro.

As pessoas se desiludem porque não procuram nelas a felicidade, deixam isso nas mãos do outro, mas o outro por melhor que seja, não conhece as suas necessidades, não como você. O outro não tem obrigação de cuidar de você, de curá-lo, de mudá-lo, nem você tão pouco de fazer isso com ele. É cruel, é egoísta, é vazio e quando o pote d’água acaba, vem o gosto amargo na boca, o mel se torna fel, os olhos que antes brilhavam, se crispam, as palavras doces se tornam amargas e os sonhos, desilusões amargas...

Para encontrar um grande amor, apaixone-se por si mesmo e de repente verá ao seu lado um grande amor...

9 de outubro de 2009

31

Talvez eu não tenha passado a impressão correta com tantas reflexões esta semana, eu estou feliz! Mas é que minha verborragia poética não consegue ser rasa, fugaz, ela tem que mergulhar na alma, invadir os pensamentos mais profundos, as idéias mais doces, assim como as tristezas mais absolutas e como aquela lufada de ar que se toma quando retorna a superfície, ela explode em milhões de idéias profundas, intensas, ainda entorpecidas pela súbita falta de ar por explorar lugares tão longínquos de minha lembrança...

Ah lembranças! Como tenho lembranças e como as tenho revivido esta semana! Creio que em parte porque toda vez que meu aniversário se aproxima, gosto de pensar sobre a vida, sobre minha vida, sobre o que quero levar para a próxima roda, o que quero deixar para traz, o que me é caro, o que me é fugaz e não mais do que uma mera lembrança que ficou para traz.

Mas não quero pensar no que deixo aqui neste virar de página, para um novo recomeço quando o relógio badalar as doze horas, mas sim no que desejo levar comigo, porque faz parte de minhas entranhas, de meu coração, de minhas melhores bênçãos e desejos! Estes eu quero cantar, homenagear, honrar, carregar comigo onde eu for! São as pequenas estrelas do meu firmamento, pontos de luz que me iluminam, que tocam meus cabelos, minha face, que inspiram meus melhores sentimentos...

A minha família nem preciso comentar, eles são o ar que eu respiro, estão comigo em cada singular momento, desde o mais doce, ao mais acre, do mais feliz, ao mais desesperador! Sempre ali com este amor tão presente, tão incondicional, tão cheiro de ceia de Natal! Aos meus amigos, aqueles verdadeiros? Que hoje caminham comigo, que me apóiam, ouvem, amam, respeitam, que me fazem dar risada, que caminham em silêncio comigo quando eu estou mal humorada, que me pedem calma quando estou desesperada, que estão comigo na França, na Irlanda, em Brasília, em São Paulo, quem dirá em outros planetas inexplorados! Amo mais que tudo e nem preciso nomear, pois eles sabem quem são.

Ao meu amor, estranho amor, “meu grande amor, não chegue na hora marcada, assim como as canções, como as canções e as palavras, me veja nos seus olhos, na minha cara lavada, me venha sem saber se sou fogo ou se sou água”, porque está comigo em cada momento, em cada página desta história, desta jornada, desta odisséia, desta dança inefável, de valor inestimável e que me faltam palavras para descrever, pois você é o meu sol nas manhãs, minha lua nas noites e meu arfar nas madrugadas! Como explicar tamanho amor se me toma sem palavras?

Como sou grata a tudo que me toca hoje e não em minhas lembranças, mas no que me é palpável, sentido, retribuído, expressado das mais diversas formas! Creio que não poderia ser mais feliz, por mais que lembranças por vezes me tirem o sono ou o sorriso, mas estas estrelas, estas rosas, estas pessoas de carne e osso que me tomam os sentidos, elas dão sentido ao que posso dizer vida! Elas dão sentido a palavras que podem ser apenas palavras como amor, confiança, amizade, lealdade, compaixão,verdade, sonho, riso, entrega...

São minhas Mulheres Deusas, meu namorado marido amante, minha família, meus amigos, pessoas que mesmo sem querer temperam minha vida quando me saboreiam com seus pensamentos, com suas verdades, com seus pensamentos. O ar que eu respiro!

Termino dizendo que lá se vai mais um ano de doçuras, de flores, de crescimento, de pensamentos, de devaneios tortos e de plena e pura felicidade, pois felicidade pura tem sim seu quê de amargura, mas que é dissolvido nestes seres fantásticos que eu denomino singelamente de amigos. Amo vocês...

“Ando devagar porque já tive pressa e levo este sorriso, porque já chorei demais. Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe, só levo a certeza de que muito pouco eu sei, que nada sei. Conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs. É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz para poder sorrir e é preciso a chuva para florir. Penso que cumprir a vida seja simplesmente conhecer a marcha e tocando em frente, como um velho boiadeiro levando a boiada, eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou, estrada eu sou... Todo mundo ama um dia. Todo mundo chora. Um dia a gente chega e no outro vai embora. Cada um de nós compõe a sua história e cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz”.

E eu sou feliz...

8 de outubro de 2009

Devaneios

Há um silêncio deste lado do mundo, uma melancolia tênue, quase imperceptível no ar. Talvez seja a chuva, o frio que toma a casa, cômodo a cômodo. Talvez não seja nada, somente a apatia de um dia perdido em pensamentos. Ou quem sabe então aquela maresia antes da tempestade? Ou quem sabe o suspiro suspendo no ar, de palavras não ditas? A espera de algo que já sabemos que não acontecerá, mas numa tentativa inútil de alimentarmos nossas ilusões continuamos aguardando debilmente. Até mesmo aquela boa sensação que percorre todo o corpo depois que algo muito bom acontece e como um anjo caído no ouvido, nos perguntamos o que está por vir para ter acontecido algo tão bom, como se já não fossemos capazes de acreditar que coisas boas acontecem apenas por acontecer, assim como as ruins. Quem sabe então a inquietação de nossa mente, corpo, sentimento, que nos impulsiona sempre para mudança? E quando tudo parece tão certo, tão estagnado, é hora de uma nova mudança? Hum, talvez seja este o silêncio que ouço esta noite...

O silêncio de placas tectônicas se mexendo silenciosas no meu íntimo, movendo-se, arranhando-se, fazendo reverberar todos os velhos conceitos, as velhas idéias, aquilo que não mais se encaixa, que perdeu o sentido num último movimento. Aquele movimento interno, que é tão saudável e tão necessário para o nosso crescimento, aprendizado, quiçá nossa sobrevivência! Pois se tivéssemos ficado parados no tempo, teríamos sido engolidos por enormes criaturas que caminhavam conosco sobre a Terra. E ainda hoje podemos ser engolidos a qualquer tempo, pelo engodo da rigidez, pelos dragões de nosso imaginário que nos fazem colidir uma e tantas vezes de encontro com as paredes rígidas de nossa fortaleza.

Até mesmo as pedras são moldadas pelo tempo, pelo vento, pelas águas, por que alguns de nós ainda insistem tanto em se prenderem aos seus jargões arcaicos? Em seus verbetes defasados? As suas idéias quadradas e arquitetas para proteger sua estrutura frágil e demente? Teriam eles medos da inefável mudança que os tange? Teriam eles medo de experimentarem novos sabores, novas cores e então terem que admitir para si mesmos que foi bom? Seria medo então de se virem sem suas muralhas, sem chão, levados pela correnteza débil do inusitado? Creio que o que mais os assusta é perder as linhas que os pendem em seu imaginário, como marionetes de seu próprio Ego controlador. Sim, perder o controle deve ser de fato algo assustador!

Imagine não saber o que haverá para o almoço de sábado? Se receberá flores no aniversário? Se irá de ônibus ou de carro para uma viagem inesperada? Perder o dia? A hora? A semana? O mês? Meu deus, em que ano estou? Aliás, que sentido faz saber que hoje são oito de outubro de 2009? É algum paradigma para contar quantas horas para o fim?

Creio que meu silêncio é de fato o movimento sutil de minhas placas tectônicas, unido a rigidez banal daqueles que tentam controlar tudo, até os próprios murmúrios, como se houvesse enfim como conter toda aquela fúria interna que um dia irá vir a superfície, ou então, terá vivido em vão... num morno controle da imensidão...

7 de outubro de 2009

As Deusas da Minha Vida

Se os homens são a face de Deus, as mulheres são a face da Deusa no mundo. Cada uma dentro de seu arquétipo, de sua singularidade, de sua essência tão única e indecifrável. Conheci muitas mulheres em minha vida e com cada uma pude aprender algo, pude perceber um brilho particular, um pedaço de mim que muitas vezes havia esquecido, ou que por vezes guardei no topo mais alto de minha estima!

Algumas me fizeram chorar, apesar de suas doçuras e malícias, apesar de serem também Deusas em minha história, perderam talvez a parte doce destes enlaces, destas doçuras que ser mulher traz, quando se sabe ser mulher.

Porém outras muito me ensinaram, me fizeram admirar e admirá-las, por um quê de graça, virtude, beleza, não aquelas de bancas de jornais, mas belezas de caráter, de sonhos, de esperanças, de crenças, aquelas que só encontramos quando abrimos a concha e ali escondida está a mais bela pérola jamais conhecida!

Estas mulheres, confusas, inseguras, fortes, engraçadas, espertas, doces, por vezes até mesmo tristes, elas encantam a minha vida e me fazem ter esperanças naquilo que eu descrevi como irmandade. Elas dão sentido, elas dão rumo, elas dão força e me mostram o quanto é bom ser apenas eu, com tantas imperfeições e medos, tantas inseguranças e mágoas, tantas alegrias e rubores, tantas dúvidas e certezas! Tão complicada a um primeiro olhar, mas tão simples de se desvendar...

São mulheres de blogs que freqüento, que por vezes nem conheço, mas as palavras encantam, tocam, inspiram! São mulheres que conheço com as entranhas, como minha mãe, que tanto admiro, ou irmãs que tanto aprecio e zelo, como vós, bisavós, que tanto ensinam em seu silêncio ancestral. São mulheres que encontrei na minha vida e que comigo partilham sonhos, esperanças, doçuras e amarguras. São Deusas de carne e osso, que desfilam nuas de máscaras pelas ruas, apenas esperando um sorriso para desabrochar.

São Deusas Mulheres, Mulheres Deusas, seres fantásticos, inconseqüente, sensíveis a qualquer toque, perfume, sussurrar. Elas são minhas verdadeiras musas, mais do que aquelas do imaginário, pois elas me ajudam a caminhar e através delas reencontro minhas Deusas, Aquelas mesmas que me fazem inspirar e escrever tais palavras só para as homenagear...

Obrigada Mulheres Deusas, por me fazerem despertar!

6 de outubro de 2009

Refluxos

E então, é apenas o silêncio diante ao mar, o olhar distante, o pensamento vago, nada certo, somente o ir e vir e o farfalho das ondas. Como se não houvesse tempo preciso, como se não houvessem feridas, lamentos, mágoas, tão pouco lembranças. Apenas o mar e nada mais...

Aquele oceano de imensidão, de sonhos perdidos, de amores náufragos, de sereias encantadas, de barcos sem direção. Uma grande imensidão de vazio, tão profundo quanto meus sentimentos, tão raso quanto os meus pensamentos, tão indecifrável quanto a saudade.

Aquele mesmo mar, de onde vem toda a vida, onde tudo um dia surgiu e para onde de alguma forma tudo retorna, o ventre do mundo, a força inefável da criação, o burburinho suave, como uma dança em evolução.

E então o mar, como os fluxos e refluxos dentro de mim, trazendo de volta, deixando ir, seguindo em frente, levando embora, o que não mais fica já não importa, o que permanece é porque tem entranhas, raízes profundas no meu universo em ebulição.

Não há dor, não há tormento, apenas o ir e vir das águas, sentimentos, pensamentos vagos, olhos em dilúvio constante, limpando a alma, tocando a mente, despertando o que estava esquecido, esquecendo o que foi perdido.

E então, é apenas o silêncio diante ao mar, a quietude insone de suas ondas e movimentos, de sua dança, encantamentos. Vazio então o que era cheio, cheio de tanto vazio no país estrangeiro. Pois é preciso compreender os ciclos, os fluxos, as marés da vida e como mar, apenas acompanhar o ir e vir sem sofrimento, sem se prender, sem lutar, sem se entregar...

No fim, tudo é apenas o mar em movimento, partidas e chegadas, lágrimas e risadas, lembranças e esquecimentos, tudo no profundo silêncio do profundo mar em movimento!

2 de outubro de 2009

Papo de menina

Eu cheguei hoje a uma conclusão cruel, eu acredito em fadas! Tá, eu acredito, mas não é este o ponto. Eu acredito em algo que existe, é possível, é mágico, mas caiu em desuso na sociedade atual, capitalista, competitiva, imoral. Eu acredito que mulheres possam ser amigas, de verdade! Sem competição, sem inveja, sem abandono quando o Príncipe Encantado aparece.

Mulheres que sentam para conversar sobre Melissinha, mas que também falam de seus medos, que falam de suas dores, que falam de suas dúvidas, que falam de seus rubores, que choram suas dores, que dão gargalhadas juntas até a barriga doer, que falam dos homens que acham divinos e deliram em histórias fantasiosas que elas mesmas criam, só por diversão.

Mulheres que se compreendem, mulheres que se entendem, mulheres que se olham e simplesmente sabem cada mentira, cada verdade, cada palavra, que se confortam, que batem perna, que falam de música, maquiagem, mas sem perder o encanto, a “meninice”, o jeitinho docemente apimentado de ser mulher.

E mesmo depois de tantas decepções, eu tenho que admitir que eu ainda acredito que mulheres podem ser amigas, que deveriam ser amigas, que é muito mais natural que assim fosse, se de repente elas não estivessem tão mais preocupadas em competir em tudo, com tudo e ver os homens da sua vida como troféus em uma estante.

E sei que ninguém compreende uma mulher como outra, e sei que só outra mulher é capaz de compreender tão bem as nossas dores, nossas dúvidas, mas isso se perdeu em algum momento em nossa sociedade, talvez naquele em que queimamos os sutiãs e confundimos liberdade com endurecimento, da alma, do coração, de nossas relações. É como se com eles tivéssemos queimado nossa doçura e nos tornamos homens, que são ótimos, mas homens, assim como somos maravilhosas quando descobrimos as belezas e as doçuras de ser mulher...

É, eu ainda acredito em irmandade!