Strony

15 de outubro de 2009

Amor

É engraçado pensar em amor. Alguns dizem que não precisam, outros que é o ar que eles respiram, outros buscam o amor em cada olhar, outros amam até chorar, mas de alguma forma todos procuram amar. Através de seus “Felizes para Sempre”, ou de seus “Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”, de alguma forma todos querem encontrar seu par.

Alguém que os valorize, que os veja tal qual são, que os apóie, que os ouça, que se enamore, que se enterneça, que sorria junto, que dê gargalhadas, que acarinhe através das madrugadas, que sussurre juras eternas até o momento final. Todos querem sentir borboletas no estômago, aquele frio na barriga quando vê o alvo de sua paixão, se entregar sem medo, derreter nos braços e falar palavras sem sentido algum.

Amor faz bem! Mas para fazer bem tem que começar de dentro, por si mesmo, um desvendar do seu interior, um deliciar de suas virtudes, um compreender de suas limitações, um explorar de suas verdades e quando ele transborda de dentro para fora, ele encontra no outro não uma dependência, mas um encontro, de vidas, amores, curiosidades, gostos, sabores, desejos, prazeres, sonhos e ajuda a tecer a nós mesmos, nos faz crescer, sorrir e suportar o mais duro dos momentos, porque ele está lá ao nosso lado, sem cobrança, sem paranóia, sem desespero, sem dependência, está lá, porque lá quer estar.

Amor tem que começar de dentro, de você, no seu olhar, no seu espírito, da sua alma, da sua essência, se não, não faz sentido... é como buscar água num oásis e se perder no meio do deserto, pois não passa de uma miragem, um delírio. Se amamos de fora para dentro, buscamos no outro um suprir de necessidades, de vazio, de carência de si mesmo, do outro, do que o outro nos fez e de repente vivemos um filme repetido e triste, que já assistimos tantas vezes, pois colocamos nos outros todas as expectativas e no entanto esquecemos de plantar aqui dentro.

As pessoas se desiludem porque não procuram nelas a felicidade, deixam isso nas mãos do outro, mas o outro por melhor que seja, não conhece as suas necessidades, não como você. O outro não tem obrigação de cuidar de você, de curá-lo, de mudá-lo, nem você tão pouco de fazer isso com ele. É cruel, é egoísta, é vazio e quando o pote d’água acaba, vem o gosto amargo na boca, o mel se torna fel, os olhos que antes brilhavam, se crispam, as palavras doces se tornam amargas e os sonhos, desilusões amargas...

Para encontrar um grande amor, apaixone-se por si mesmo e de repente verá ao seu lado um grande amor...

9 de outubro de 2009

31

Talvez eu não tenha passado a impressão correta com tantas reflexões esta semana, eu estou feliz! Mas é que minha verborragia poética não consegue ser rasa, fugaz, ela tem que mergulhar na alma, invadir os pensamentos mais profundos, as idéias mais doces, assim como as tristezas mais absolutas e como aquela lufada de ar que se toma quando retorna a superfície, ela explode em milhões de idéias profundas, intensas, ainda entorpecidas pela súbita falta de ar por explorar lugares tão longínquos de minha lembrança...

Ah lembranças! Como tenho lembranças e como as tenho revivido esta semana! Creio que em parte porque toda vez que meu aniversário se aproxima, gosto de pensar sobre a vida, sobre minha vida, sobre o que quero levar para a próxima roda, o que quero deixar para traz, o que me é caro, o que me é fugaz e não mais do que uma mera lembrança que ficou para traz.

Mas não quero pensar no que deixo aqui neste virar de página, para um novo recomeço quando o relógio badalar as doze horas, mas sim no que desejo levar comigo, porque faz parte de minhas entranhas, de meu coração, de minhas melhores bênçãos e desejos! Estes eu quero cantar, homenagear, honrar, carregar comigo onde eu for! São as pequenas estrelas do meu firmamento, pontos de luz que me iluminam, que tocam meus cabelos, minha face, que inspiram meus melhores sentimentos...

A minha família nem preciso comentar, eles são o ar que eu respiro, estão comigo em cada singular momento, desde o mais doce, ao mais acre, do mais feliz, ao mais desesperador! Sempre ali com este amor tão presente, tão incondicional, tão cheiro de ceia de Natal! Aos meus amigos, aqueles verdadeiros? Que hoje caminham comigo, que me apóiam, ouvem, amam, respeitam, que me fazem dar risada, que caminham em silêncio comigo quando eu estou mal humorada, que me pedem calma quando estou desesperada, que estão comigo na França, na Irlanda, em Brasília, em São Paulo, quem dirá em outros planetas inexplorados! Amo mais que tudo e nem preciso nomear, pois eles sabem quem são.

Ao meu amor, estranho amor, “meu grande amor, não chegue na hora marcada, assim como as canções, como as canções e as palavras, me veja nos seus olhos, na minha cara lavada, me venha sem saber se sou fogo ou se sou água”, porque está comigo em cada momento, em cada página desta história, desta jornada, desta odisséia, desta dança inefável, de valor inestimável e que me faltam palavras para descrever, pois você é o meu sol nas manhãs, minha lua nas noites e meu arfar nas madrugadas! Como explicar tamanho amor se me toma sem palavras?

Como sou grata a tudo que me toca hoje e não em minhas lembranças, mas no que me é palpável, sentido, retribuído, expressado das mais diversas formas! Creio que não poderia ser mais feliz, por mais que lembranças por vezes me tirem o sono ou o sorriso, mas estas estrelas, estas rosas, estas pessoas de carne e osso que me tomam os sentidos, elas dão sentido ao que posso dizer vida! Elas dão sentido a palavras que podem ser apenas palavras como amor, confiança, amizade, lealdade, compaixão,verdade, sonho, riso, entrega...

São minhas Mulheres Deusas, meu namorado marido amante, minha família, meus amigos, pessoas que mesmo sem querer temperam minha vida quando me saboreiam com seus pensamentos, com suas verdades, com seus pensamentos. O ar que eu respiro!

Termino dizendo que lá se vai mais um ano de doçuras, de flores, de crescimento, de pensamentos, de devaneios tortos e de plena e pura felicidade, pois felicidade pura tem sim seu quê de amargura, mas que é dissolvido nestes seres fantásticos que eu denomino singelamente de amigos. Amo vocês...

“Ando devagar porque já tive pressa e levo este sorriso, porque já chorei demais. Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe, só levo a certeza de que muito pouco eu sei, que nada sei. Conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs. É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz para poder sorrir e é preciso a chuva para florir. Penso que cumprir a vida seja simplesmente conhecer a marcha e tocando em frente, como um velho boiadeiro levando a boiada, eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou, estrada eu sou... Todo mundo ama um dia. Todo mundo chora. Um dia a gente chega e no outro vai embora. Cada um de nós compõe a sua história e cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz”.

E eu sou feliz...

8 de outubro de 2009

Devaneios

Há um silêncio deste lado do mundo, uma melancolia tênue, quase imperceptível no ar. Talvez seja a chuva, o frio que toma a casa, cômodo a cômodo. Talvez não seja nada, somente a apatia de um dia perdido em pensamentos. Ou quem sabe então aquela maresia antes da tempestade? Ou quem sabe o suspiro suspendo no ar, de palavras não ditas? A espera de algo que já sabemos que não acontecerá, mas numa tentativa inútil de alimentarmos nossas ilusões continuamos aguardando debilmente. Até mesmo aquela boa sensação que percorre todo o corpo depois que algo muito bom acontece e como um anjo caído no ouvido, nos perguntamos o que está por vir para ter acontecido algo tão bom, como se já não fossemos capazes de acreditar que coisas boas acontecem apenas por acontecer, assim como as ruins. Quem sabe então a inquietação de nossa mente, corpo, sentimento, que nos impulsiona sempre para mudança? E quando tudo parece tão certo, tão estagnado, é hora de uma nova mudança? Hum, talvez seja este o silêncio que ouço esta noite...

O silêncio de placas tectônicas se mexendo silenciosas no meu íntimo, movendo-se, arranhando-se, fazendo reverberar todos os velhos conceitos, as velhas idéias, aquilo que não mais se encaixa, que perdeu o sentido num último movimento. Aquele movimento interno, que é tão saudável e tão necessário para o nosso crescimento, aprendizado, quiçá nossa sobrevivência! Pois se tivéssemos ficado parados no tempo, teríamos sido engolidos por enormes criaturas que caminhavam conosco sobre a Terra. E ainda hoje podemos ser engolidos a qualquer tempo, pelo engodo da rigidez, pelos dragões de nosso imaginário que nos fazem colidir uma e tantas vezes de encontro com as paredes rígidas de nossa fortaleza.

Até mesmo as pedras são moldadas pelo tempo, pelo vento, pelas águas, por que alguns de nós ainda insistem tanto em se prenderem aos seus jargões arcaicos? Em seus verbetes defasados? As suas idéias quadradas e arquitetas para proteger sua estrutura frágil e demente? Teriam eles medos da inefável mudança que os tange? Teriam eles medo de experimentarem novos sabores, novas cores e então terem que admitir para si mesmos que foi bom? Seria medo então de se virem sem suas muralhas, sem chão, levados pela correnteza débil do inusitado? Creio que o que mais os assusta é perder as linhas que os pendem em seu imaginário, como marionetes de seu próprio Ego controlador. Sim, perder o controle deve ser de fato algo assustador!

Imagine não saber o que haverá para o almoço de sábado? Se receberá flores no aniversário? Se irá de ônibus ou de carro para uma viagem inesperada? Perder o dia? A hora? A semana? O mês? Meu deus, em que ano estou? Aliás, que sentido faz saber que hoje são oito de outubro de 2009? É algum paradigma para contar quantas horas para o fim?

Creio que meu silêncio é de fato o movimento sutil de minhas placas tectônicas, unido a rigidez banal daqueles que tentam controlar tudo, até os próprios murmúrios, como se houvesse enfim como conter toda aquela fúria interna que um dia irá vir a superfície, ou então, terá vivido em vão... num morno controle da imensidão...