Strony

30 de setembro de 2009

2009?

E de repente 2009 quase se foi e em nem me dei conta que estava há tanto tempo em silêncio! Ao menos em silêncio por aqui...

O que dizer neste quase um ano que se passou? Por que estive ausente? Não sei bem o que dizer, porque no fundo não houve um motivo aparente. Foco nos estudos, concurso, viagem, enfim tantas coisas...

Mas de repente me deu vontade de sacudir as folhas, abrir o livro velho e empoeirado, empurrar as teias de aranha que se acumularam e escrever alguma coisa, algum devaneio insensato, ou talvez até mesmo muito sensato!

O que me faz pensar é que é surpreendente como a Roda Gira, como as coisas rodam, rodam, rodam e de repente estão no ponto onde pararam e que por algum motivo não tivemos coragem de dizer não, de pular do barco, de dizer o que pensávamos, mas a oportunidade sempre volta, travestida de alguma outra coisa e quando menos esperamos ela está lá, de mão estendida e olhos suplicantes te convidando a pular com ela!

O engraçado é que os primeiros segundos são de puro desespero, te falta o chão, te falta o ar, te falta tudo, dá uma vontade de voltar atrás, porque certas decisões, escolhas, são um tiro no escuro e você nunca sabe onde vai dar. Mas quando você se permite sentir, deixa o medo passar por e através do teu corpo, vem a segunda sensação, a liberdade! O vento rugindo sob os cabelos, o peso de tudo que deixou para trás sai de seus ombros, o cheiro do desconhecido inflama as narinas e você percebe que se soubesse que seria assim você já teria feito há muito mais tempo!

Foi assim quando larguei o curso de Direito, ensaiava como falar com meus pais e todas as broncas que eles dariam, com todo o discurso que teria que ouvir, pensava nas minhas justificativas, foi um tormento por mais de um ano e no dia que eu finalmente falei... eles disseram “tudo bem, já tem em mente o que vai fazer agora?”. Foi um tiro no pé! Eu imaginei mil coisas, exceto a compreensão deles. Bizarro!

Ou quando terminei um relacionamento que se arrastava por meses em sofrimento, lágrimas, palavras tortas, desencontros, primeiro veio a dor, lancinante, única, rasgando toda aquela roupagem e de repente um silêncio, foi como descobrir que havia vida na terra novamente, que eu podia ouvir meu coração pulsar, que a vida não precisava ser um tormento tortuoso e enfim... um sorriso tímido, depois largo e então, novamente apaixonado!

Todo grande obstáculo, reserva uma grande surpresa, mas só podemos experimentá-la quando cruzamos a ponte, quando pulamos do abismo, quando abrimos as asas, quando nos desfazemos em pedaços e tudo se vai, só uma coisa resta, nós mesmos e aquele sabor acre de liberdade tilintando nos lábios.

Ah se eu soubesse, jamais teria hesitado em frente ao perigo antes, teria me rasgado mais vezes, mas isso só as Rodas o fazem compreender, que não a fim sem um novo começo, que não há começo sem um fim...